Com Custos Mais Baixos, Empresas Querem Ampliar a Comunicação por Satélite




Impulsionadas por mudanças tecnológicas que ampliaram a oferta e, consequentemente, derrubaram preços, as empresas de telecomunicações por satélite avançam sobre mercados onde antes seus serviços eram considerados proibitivos. O custo da banda larga via satélite no varejo, por exemplo, caiu mais de 50% nos últimos quatro anos, na esteira da entrada em operação de satélites de alta capacidade. O barateamento também vem popularizando o uso de satélites para comunicação máquina a máquina (M2M) e aumento da cobertura de telefonia móvel.

Em julho, a americana Hughes lançou no país seu serviço de banda larga via satélite voltado para o consumidor final, atraída por um público potencial estimado em mais de 1 milhão de clientes no médio prazo. A maioria é de consumidores situados em áreas isoladas ou de difícil acesso. "A fibra ótica exige uma certa densidade [populacional] para ser viável economicamente. Quando não há essa densidade ou o cliente está muito longe, a operadora de telecomunicações não tem retorno financeiro", afirma Eduardo Tude , presidente da consultoria Teleco.

Presidente da Hughes do Brasil, Rafael Guimarães não detalha os investimentos da companhia para viabilizar o serviço no país, mas ressalta que foram gastos "centenas de milhões de reais" não apenas nos satélites mas em estações terrestres. O pacote inicial de acesso de banda larga da Hughes com velocidade de 10 Mbps (megabits por segundo) sai por R $ 249 ao mês, valor impensável anos atrás.

"No Brasil, a banda larga via satélite já existia, mas era cara e tinha baixa velocidade", resume Tude, da Teleco. Um executivo do setor que pediu para não ter seu nome citado estima que a redução de preço - no caso específico da banda larga via satélite - foi superior a 50% nos últimos quatro anos.

O plano de negócios da Hughes começa com a cobertura de 4 mil municípios na primeira fase, iniciada em julho. Numa segunda etapa, prevista para 2018, o serviço alcançaria mais 1.200 cidades. O restante dos 5.565 municípios brasileiros seria coberto até 2020. A título de comparação, a operadora com maior número de cidades cobertas por 3G em agosto deste ano alcançava 3.584 municípios, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) compilados pela Teleco.

Foi justamente a ampliação da cobertura 3G e 4G em regiões remotas do país que levou a TIM a anunciar na semana passada um acordo com a operadora de satélites Intelsat. "A performance baixa e o preço alto tornavam inviável fazer a cobertura móvel no país inteiro usando satélite", conta Marcelo Duarte, diretor de atacado da TIM.  "Com um baixo investimento, estaremos triplicando nossa capacidade". Na prática, isso significa que cidades onde hoje há apenas cobertura de voz passarão a contar com serviço de dados.

Só nos últimos dois anos, a Intelsat lançou quatro satélites com cobertura da América Latina, incluindo Brasil. Outros três estarão disponíveis até o fim de 2017 para atender o país, conta Marcio Brasil, diretor de vendas da Intelsat Brasil. "Estamos focados em duas grandes verticais [segmentos]: dados e mídia", diz o executivo. A aposta na vertente de dados se traduz na busca por contratos com outras teles além da TIM, dentro do universo das tecnologias 3G e 4G. A demanda por mais canais em alta definição (HD) deverá manter acelerada a corrida por capacidade em satélites de mídia, acredita Brasil.

"A tendência é de consumo de mais megabits. Mesmo se não houver a entrada de um novo operador de DTH, a demanda vai continuar a crescer", sustenta Sérgio Chaves, diretor de Negócios para a América do Sul da Hispamar, referindo-se à TV paga via satélite ("direct to home"). Mesmo com a diminuição da base de clientes de televisão por assinatura no país ao longo do ano passado, Chaves lembra que o mercado continua a demandar mais conteúdo (variedade de canais) e mais qualidade de sinal (canais em HD).

Criada em 2002, a Hispamar tem como acionistas o grupo espanhol Hispasat e a brasileira Oi. Naquele ano, cerca de 90% da receita total do grupo provinham da Europa. O percentual contrasta com o resultado do ano passado, quando a Hispamar foi responsável por mais de 65% do faturamento do Grupo Hispasat. O aumento da importância dos mercados fora da Europa explica, em grande parte, o lançamento de mais três satélites em 2017 pela operadora. O objetivo é ampliar a oferta de serviços em todo o continente americano.

A europeia Eutelsat também demonstra apetite aguçado pelo mercado brasileiro. Tanto que iniciou em abril - dois anos antes do prazo estipulado pela Anatel - a operação do satélite Eutelsat 65WA. Além de apostar na televisão digital como motor de crescimento no país, a empresa planeja lançar no Brasil serviços de comunicação entre máquinas ("machine to machine ") via satélite, a exemplo do que já acontece nos Estados Unidos, informa Rodrigo Campos, presidente local da companhia.




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